"Solidão é não ser eu. É não ser o outro.”
(Clarice Lispector)
Ele era apenas o porteiro do teatro.
Para aquela tarde
chuvosa de inverno, estava reservada uma sessão.
A sessão em que
deveria representar o célebre Rafael Silveira, famoso e consagrado
ator dramático.
O ato consistiria em uma matinê especial,
suplementar.
Neste ato único, Rafael recitaria um monólogo longo,
acompanhado logo após, à maneira de conclusão, por uma pantomima,
em que o célebre ator também era um dos expoentes, entre seus
pares.
Contudo, fazia muito frio. E chovia. Do hall da entrada, ele,
sentado a uma cadeira diante de uma mesa de mogno antiga, estava a
dormitar.

